terça-feira, 1 de novembro de 2011

CO-PROCESSAMENTO DE PNEUS EM FORNOS DE CIMENTO.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.

“É o desenvolvimento que responde às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras a sustentar suas próprias necessidades”
CO-PROCESSAMENTO.
Técnica de destinação/destruição de resíduos industriais, de maneira profissional, responsável e definitiva, sem a geração de Passivos Ambientais Segurança no processo (queima, manuseio e transporte).
NORMATIZAÇÃO:
A norma do CONAMA nº 237/97 – Geral e 264/05 – Incineração de resíduos trata dos limites máximos de emissões que as empresas devem controlar em seus processos para a queima do calcário in natura (reação de descarbonatação), do combustível principal (normalmente coque) e do co-processamento de resíduos.
OPERAÇÃO DE DESTRUIÇÃO DO PNEU:
Nos últimos anos a indústria cimenteira tem contribuído de forma efetiva para um passivo que já preocupava muito os órgãos ambientais: O co-processamento de pneus inservíveis. Hoje as leis para os fabricantes são rigorosas com relação a destinação dos pneus após o uso. Diante deste problema, as indústrias com forno de clinquer passaram a ser um aliado na destruição dos pneus. O poder calorífico da borracha, componente principal do pneu, é tão alto quanto o coque de petróleo, hoje a matriz energética principal usada nos fornos de cimento. Sendo assim foi necessário desenvolver know how para efetuar a destruição destes pneus sem afetar a estabilidade do processo de clinquerização.
Basicamente se destrói pneus nos fornos de cimento de duas maneiras:
  1. Pneu picado.
O pneu é recolhido nas revendedoras, borracharias, fabricantes e transportado até uma unidade com picador, conforme foto. Neste processo o pneu é picado a uma granulometria no máximo de 100 mm. Depois de picado, alimenta-se o pneu em uma transportadora que abastece a moega. Esta moega deve ser dotada de balança dosadora com tapete que por sua vez vai injetar o pneu ao forno conforme controle do processo de operação do forno. Este processo do pneu picado demanda um custo alto na máquina com manutenção e desgaste das facas. O pneu picado também é difícil de dosar com uma camada estável na balança. A vantagem seria o tamanho da partícula de pneu queimar melhor no forno, menor zona redutora.

Outra vantagem do picador é a possibilidade de queimar sucata de pneu, pois a mesma pode ser picada normalmente.


  1. Pneu inteiro.
Já a queima de pneu inteiro começa com o recolhimento e transporte do mesmo até a fábrica. Dentro da unidade é necessário ter um local coberto para o armazenamento, pois sem cobertura o pneu pode juntar água da chuva e proliferar o mosquito da dengue.
Depois de estocado o pneu pode subir a pré-calcinação através de transportadoras especiais ou por elevadores, conforme imagens neste blog. Um magazine faz à ligação do pneu do elevador a entrada da caixa de fumaça. Após o pneu cair dentro da caixa de fumaça entra em ignição e começa o processo de destruição. Por isto cria-se nos primeiros metros do forno uma zona muito redutora e que prejudica o processo.








Esta é a posição do PNEU quando é injetado ao forno e entra na caixa de fumaça. Neste ponto começa a ignição e termina já dentro do forno em meio a farinha nos primeiros metros.





Ainda sobre a queima do pneu se faz necessário ajustar os módulos da farinha, pois o ferro contido no pneu altera o MA do clinquer.
Existem empresas especializadas em desenvolver projetos para co-processamento de pneus em fornos de clinquer. Este sempre parece ser o caminho ideal, pois com experiência e técnicas específicas podem-se evitar muitos problemas pós marcha na destruição do pneu no forno. Minhas experiências foram sempre na base do projeto caseiro. Este também chega a um bom resultado, mas com um custo elevado, vários problemas no processo, algumas paradas de forno e desgaste da equipe.
Monitoramento e controle de emissões, responsabilidade e ética em seus negócios, cumprimento da legislação ambiental e de saúde ocupacional, transparência e desenvolvimento tecnológico, são fatores que devem fazer parte do dia a dia de uma indústria que possui em seu processo potencial risco de poluição.
Temos na iniciativa privada e nos órgãos ambientais totais condições de garantir as gerações atuais e futuras um ambiente livre de qualquer risco a saúde.
Na biblioteca existem bons trabalhos sobre co-processamento que podem ser consultados sempre que acharem necessário.
Um abraço a todos.
Otávio Brancão – Blogueiro do Cimento.